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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Karl Lagerfeld: um fenômeno do mundo fashion.


Como não falar desse fenômeno do mundo da moda internacional que, além de manter e dar continuidade na glamorosa marca da legendária Coco Chanel, mantendo o DNA de sua criadora,  nunca se separou de sua principal marca: a italiana Fendi.

História



Karl Lagerfeld

Nascido em 1938, na cidade de Hamburgo, na Alemanha, ele mudou-se aos 14 anos pra estudar em Paris. O garoto, um apaixonado por moda e história da arte, aprendeu a falar francês, italiano e inglês. Karl Lagerfeld se destacou pela primeira vez na moda em 1955, quando participou de um concurso de modelos de mantôs (um tipo de casaco comprido, como um sobretudo) promovido pelo International Wool Secretariat, aberto a qualquer jovem designer amador.
Ele ganhou o prêmio pelo melhor desenho da peça, dado por um júri no qual estavam Pierri Cardin e Hubert Givenchy, e o convite para o seu primeiro trabalho em uma casa de costura, a Bauman.
Três anos depois, o então jovem estilista tornou-se designer-chefe da casa de Jean Patou. Com muita energia criativa para gastar, Lagerfeld teve a ideia de trabalhar em várias grifes ao mesmo tempo.
Em 1963, como freelancer, começou a desenhar coleções de peles e de prêt-à-porter para a marca das irmãs Fendi.
Usando peles de toupeira, coelho e esquilo, consideradas pouco nobres para criações requintadas, e as tingindo de cores ousadas, ele colocou a Fendi na liderança absoluta do setor e conquistou vários prêmios internacionais. Ainda com criatividade represada, em 1970, também começou a desenhar para a Casa Chloé francesa.
Enquanto a carreira de Karl estava em plena ascensão, a Maison Chanel passava anos de mesmice e insucesso após a morte Coco em 1971. No ano de 1983, com a reputação solidamente estabelecida como uma força da moda do momento, Lagerfeld tornou-se o diretor criativo e estilista da grife.

Na época, a notícia causou um alvoroço entre os fashionistas, uma vez que havia uma grande diferença entre o estilo atrevido do designer e o discreto e refinado de Coco Chanel.
Para a surpresa de todos, entretanto, ele conseguiu recriar a fama e a força da maison mais importante do século 20 sem perder o DNA do estilo e da tão forte personalidade de Gabrielle Chanel. Acredito que o “Kaiser” da moda, como ficou conhecido, soube (e ainda sabe) respeitar as características que fizeram da Madeimosele a estilista mais importante do século passado.
Além do comando da marca, os dois têm algumas características em comum. Assim como Coco fazia, Karl gosta de enobrecer materiais simples e de chocar a sociedade invertendo a lógica da estética do seu tempo.
O último lançamento da Chanel, a linha de bolsas Coco Cocoon, é a prova de que Lagerfeld tem o funcionamento parecido com o da estilista. Assim como ela escolheu uma atriz de teatro para ser a “embaixadora” dos seus chapéus revolucionários nos anos de 1900, como mostra o filme “Coco Antes de Chanel”, o designer escolheu duas blogueiras para serem as “embaixadoras” da sua nova coleção que, por sinal, é feita em nylon, mais um material nada nobre.


A LUZ DE LAGERFELD
Apenas um ano após assumir a Maison Chanel, o designer surpreendeu o mundo da moda novamente ao criar sua própria linha de prêt-à-porter, chamada “Karl Lagerfeld”, e mais uma linha com precinhos mais acessíveis, a “KL”.
Além de supervisionar todas as suas casas, criar as coleções individuais e lançar fragrâncias de perfumes para várias delas, ele encontra tempo para hobbies criativos.






Amante da ópera, do teatro e do cinema, criou figurinos para La Scala, em Milão, para o Schnitzler execuções, e para muitos filmes, incluindo "The Sun Also Rises", "Festa de Babette", "Le Viva Vie", e "O General Le Morte de l’Armee" . Seus outros "passatempos" incluem decoração, restauração de casarões antigos e fotografar para anúncios de moda.
Não à toa, ele se auto-intitula o “camaleão da moda”: “Quando eu faço Fendi, eu sou outro, quando eu faço Chanel, sou Karl Lagerfeld, ou KL. É como ser quatro pessoas em uma. Talvez eu não tenha personalidade, ou talvez tenha mais de uma”, disse o estilista na biografia “Karl", escrita por Paul Sahner.
Fonte: www.colheradacultural.com.br
A Dieta de Karl Lagerfeld
O famoso couturier da casa Channel conseguiu perder 42kg em13 meses apenas! Farto do seu perfil arredondado, Karl Lagerfeld decidiu pôr um ponto final na situação e mudar de vida, tornando-se numa pessoa mais saudável.
O programa Spoonlight criado pelo Dr. Jean Claude Haudret, especialmente para o criador de moda, transformou-se num dos livros mais vendidos dos últimos tempos, não só pelos resultados verificados deste regime de emagrecimento, como pela sua originalidade e flexibilidade, na medida em que não exige grandes sacrifícios.


Tudo passa por uma mudança de hábitos alimentares que devem perdurar pelo resto da vida e não apenas durante uns tempos! A pessoa que quer perder peso, deve comer alimentos de todos os grupos, porém apenas os mais saudáveis. Segundo o Dr. Jean Claude, em todas as categorias alimentares existem alimentos prejudiciais ao nosso organismo e alimentos que não nos fazem mal.
O segredo está em escolher exclusivamente os alimentos saudáveis. Preferir cereais e farinhas integrais aos refinados, alimentos frescos aos enlatados, etc. No fundo, tudo aquilo que já todos sabemos mas que não nos obrigamos a fazer! Se ele que era tão gordinho conseguiu, é porque não deve ser assim tão difícil! E para as meninas que deixam de comer, procurem adquirir o livrinho, porque estes dois senhores já provaram que é a comer que se emagrece!
Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/curiosidades/historia-karl-lagerfeld

Sua Marca: esbanjando elegância e sofisticação 






  

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Coco Chanel - a mulher que revolucionou o conceito de moda


Com estilo e elegância, Gabrielle "Coco" Chanel revolucionou a década de 20, libertando a mulher dos trajes desconfortáveis e rígidos do final do século 19. Um verdadeiro mito, Chanel reproduziu sua própria imagem, a mulher do século 20, independente, bem-sucedida, com personalidade e estilo.



O estilista alemão Karl Lagerfeld é, desde 1983, o diretor de criação da marca Chanel, tanto para a linha de alta-costura quanto para a de prêt-à-porter. O estilo clássico criado por mademoiselle, revitalizado por Lagerfeld, atravessou o século 20 e se tornou atemporal.


"Eu criei um estilo para um mundo inteiro.Vê-se em todas as lojas "estilo Chanel". Não há nada que se assemelhe. Sou escrava do meu estilo. Um estilo não sai da moda; Chanel não sai da moda." Coco Chanel


Símbolo de status
A bolsa com alças de corrente dourada, o colar de pérolas, o tailleur e o vestido preto são os símbolos de elegância e status que marcaram para sempre a história da moda. Mas foi o seu perfume, o Chanel nº 5 - tido como o mais vendido no mundo, que a tornou milionária.
O perfume foi criado em 1921 por Ernest Beaux a pedido de Gabrielle Chanel, que sugeriu: "Um perfume de mulher com cheiro de mulher". Dentro de um frasco art déco - que foi incorporado à coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York em 1959 -, o Chanel nº 5 foi o primeiro perfume sintético a levar o nome de um estilista.

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Vestido Chemise Verde Militar Flavia

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Vida e Carreira


Nascida em Saumur, França, em 19 de agosto de 1883, Chanel chegou a Paris aos 16 anos. Logo conheceu o milionário criador de cavalos, Etienne Balsam, de quem tornou-se amante. Mais tarde, em 1910, conseguiu, com ajuda de amigos e do próprio Balsam, abrir sua primeira loja, onde vendia chapéus.
Foi também noiva do herdeiro inglês do carvão Arthur Capel, que a ajudou a abrir sua segunda loja em Deauville, na época um centro elegante da França. Capel morreu em 1924, vítima de um acidente automobilístico. 

Em 1925, Chanel iniciou uma estreita amizade com o duque de Westminster, que a situou no mais alto escalão da aristocracia parisiense. Amiga também do compositor Stravinski - o qual se apaixonou por ela -, o coreógrafo Diaghilev, a bailarina Isadora Duncan, os artistas Jean Cocteau, Picasso, Salvador Dalí e outros igualmente célebres, Chanel esteve sempre ligada às principais correntes artísticas da primeira metade do século 20.



Chanel libertou a mulher das faixas e cintas, dos corpetes apertados, das saias amplas de múltiplos babados e franzidos do fim do século 19 e começo do século 20.Em 1916, ela introduziu na alta-costura o jérsei de malha, os trajes de tecidos xadrez e a moda escocesa, com blusas de malha fina, as calças boca-de-sino, as jaquetas curtas e os casacos cruzados na frente e acinturados em estilo militar.Para a noite, Chanel criou vestidos em negro metálico, vermelho escarlate ou bege. Laços e paetês eram os únicos enfeites e não impediam que as mulheres se movimentassem com rapidez, ágeis como pedia a estética de um século onde tudo se tornava automatizado.
O vestido negro, simples, com gola e mangas largas e punhos, a jaqueta de corte reto e a saia simples foram inovações da estilista.O nascimento do chamado "pretinho básico" data de 1926, quando uma ilustração na revista "Vogue" mostrava o vestido desenhado por Chanel - o primeiro entre vários que iria produzir ao longo de sua carreira.Seus modelos simples, ao alcance da mulher de bom gosto e de poucos recursos, foram muito imitados e confeccionados em mais categorias de preços do que qualquer outra criação da alta-costura.Foi ela também quem introduziu as falsas jóias ao mundo da moda. Chanel sempre gostou de usar muitos acessórios, como colares de correntes ou pérolas de várias voltas.





Em 1939, no início da Segunda Guerra, a estilista decidiu fechar suas lojas. Ela acreditava que não era uma época para a moda. Mudou-se para o hotel Ritz e conheceu o alemão Hans Dincklage, espião nazista, de quem tornou-se amante.Em 1945, foi para a Suíça, voltando a Paris somente em 1954, ano em que também retornou ao mundo da moda. Sua nova coleção não agradou aos parisienses, mas foi muito aplaudida pelos americanos, que se tornaram seus maiores compradores .Chanel morreu em Paris, no dia 10 de janeiro de 1971, aos 87 anos, em sua suíte particular no hotel Ritz.

Libertou as Mulheres

Audrey Tautou - Do filme "Coco antes de Chanel"


Chanel libertou a mulher das faixas e cintas dos corpetes apertados das saias amplas de múltiplos babados e franzidos do fim do Seculo XIX e começou do Seculo XX.Em 1916, ela introduziu na alta costura o jersei de malha estreita, os trajes de tecidos xadrez a moda escocesa, com blusas de malha fina, as calças de boca de sino, as jaquetas curtas e os casacos cruzados na frente e acinturados em estilo militar.O vestido negro, simples, com gola e mangas largas e punhos, a jaqueta de corte reto e a saia simples foram inovações de Chanel. No dia em que, cedendo a um impulso, cortou os cabelos, surgiu uma moda que se difundiu rapidamente de forma sensacional. Seus modelos simples, ao alcance da mulher de bom gosto e de pouco recursos, foram muito imitados e confeccionados em mais categorias de preços do que qualquer outra criação da alta costura. E como se isso não bastasse, milhões de mulheres que nunca se vestiram ao estilo Chanel ouviram o seu nome quando, em 1922, lançou no mercado um perfume que ainda goza de grande popularidade: Chanel-5.


Esse numero foi escolhido de proposito, pois acreditava que trazia sorte. E foi esse perfume, na realidade, o mais firme esteio de sua fortuna, afirma-se que se vende mais que qualquer outro em 140 países. Foi a primeira a unir a costura ao perfume e às jóias.Esta pequena "revolução" surpreendeu muito as elegantes da época que só perfumavam com essências naturais como o Clavel. Em 1930 possuía uma fabrica de perfumes e outra de têxteis. Empregava 2.400 pessoas que trabalhavam em 26 fabricas.Após ter-se imposto como mulher de negócios e criadora de moda, Coco Chanel renunciou a ter um apartamento pessoal e instalou-se no Hotel Ritz até o fim de sua vida.

Filmografia
O filme Coco antes de Chanel retrata a biografia da estilista, com a atriz francesa Audrey Tautou interpretando Gabrielle Chanel.





Frases de Chanel


"Sou contra uma moda que não dure. É o meu lado masculino. Não consigo imaginar que se jogue uma roupa fora, só porque é primavera."



"Uma mulher vestida de claro raramente fica de mau-humor."



"A natureza nos dá o rosto dos 20 anos. A vida modela o dos 30. Mas temos que merecer o rosto dos 50."




"Aos 50 anos a mulher é responsável por seu rosto. Ninguém é jovem aos 50. Costumo dizer aos homens: acham que ficam mais bonitos carecas?"



"Sou a última do meu gênero. Não terei sucessores. Espero apenas que o meu exemplo não seja esquecido muito depressa".



"A roupa deve ser, antes de tudo, cômoda e prática. É a roupa que deve adaptar-se ao corpo e não o corpo que deve deformar-se para adaptar-se à roupa".



"A moda, como a arquitetura, é uma questão de proporções".


"As roupas velhas são como velhos amigos. Nós os conservamos. Gosto de roupas como gosto de livros: para pegar, mexer nelas."

"Os homens que querem se fazer notar pelas roupas são uns cretinos. As mulheres podem sobreviver a quase todas as formas de ridículo; um homem ridículo está perdido, a menos que seja gênio."


Fonte: http://espacopanamby.com.br/a-historia-da-chanel/

Muito estilo e elegância





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Vestido Floral Transpassado Jade

Principessa Jade
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Moda Brasil - por uma identidade na marca


Carmem Miranda

Olá pessoal

Um grande abraço e um 2017 muito próspero e feliz para todos os leitores e leitoras do meu blog.

Gostaria de retomar o assunto que mais me levou às leituras e pesquisas e, sobretudo, a criação deste blog: identidade cultural na moda.

Uma das minhas grandes preocupações no mundo da moda ainda é a forte influência europeia/asiática sobre as principais marcas do vestuário do planeta, ditando regras de toda ordem, taxando preços e tendências. 

Para aprofundarmos um pouco mais nessa reflexão, fiz um pequeno recorte de um artigo que gostaria de compartilhar com vocês. 


Por Julia Picoli

Docente no curso de Moda da Feevale e consultora de produto de Moda


No contexto do mercado de moda no Brasil contemporâneo existem marcas que continuam replicando a moda e a cultura internacional, tendo dificuldades de diferenciar os produtos. Uma forma de distingui-los é a criação de peças por meio de coleções de moda que utilizam uma temática central para o desenvolvimento de peças harmônicas e autorais.


O processo da criação de uma coleção de moda deve ser coerente e contemplar os seguintes aspectos: perfil do consumidor, identidade ou imagem da marca, tema-conceito e proposta de materiais. O desenvolvimento dos produtos também se dá pela coordenação da coleção, que vai desde a escolha de cores, matéria-prima, modelagem e confecção, com o propósito de averiguar se em todas as etapas foi, efetivamente agregado valor à composição, conferindo assim identidade aos artigos de moda no Brasil.



Uma pequena mostra do que foi a SPFW 2017














terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Como garantir a identidade brasileira na moda internacional


Fonte: http://olhares.sapo.pt/moda-no-brasil-colonia-foto2809437.html
Um breve histórico dos fatores que desembocaram em uma identidade brasileira expressa através do vestuário e da moda.



Até 1910 – Primeira parte



A identidade brasileira na moda encontra sua consolidação ao longo dos dois últimos séculos, haja vista o pouco que se pode falar a respeito da atividade cultural durante o Brasil colônia, onde a moda era originalmente europeia.



As primeiras iniciativas de construção de uma indústria têxtil no Brasil foram frustradas com medidas contrárias impostas pela família real portuguesa:



“ o Brasil Colônia tentou fabricar seus tecidos elegantes, mas um famoso alvará de D. Maria I mandou destruir os teares do Brasil e, com eles, a indústria brasileira que nascia . Em nosso país, só se admitiam teares para a indústria das fazendas grossas de algodão , das que serviam para o uso e vestuário dos negros. Veja o que diz o historiador Luiz Edmundo:



"São extintos, quebrados a martelo todos os teares do país no ano de 1781, sendo que se proíbe aos governadores o recebimento, em audiência, de pessoas vestindo roupas feitas com tecidos não fabricados ou exportados da metrópole, Ordem régia de 5 de julho de 1802. (…) Até os sapateiros não podem trabalhar em couro que não venha mandado da longínqua Metrópole, Carta-Régia de 20 de fevereiro de1690.’”( Joffily, 1999, p.12)

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Em 1841, ocorre um fato importante na história da moda brasileira – quando na coroação de D. Pedro II, este leva em torno do pescoço uma murça de plumas de tucanos.


“ A só um tempo, era feito rei e cacique, rei como na Europa, de cetro e coroa, e cacique de penas como pelos imensos e insondados brasis.” (Schwarcz).

Fato simbólico para a construção de uma identidade brasileira, uma vez que implica na legitimação das “coisas da terra”, entretanto, os reflexos dessa legitimação demoram a acontecer no vestuário.

Inicialmente a influência da moda brasileira é totalmente europeia, mais especificamente francesa – expressa em características da Belle Époque.

Até 1910 – Segunda parte

De acordo com o pesquisador José Carlos Durand, após o início do séc. XIX, já há uma produção incipiente de peças no Brasil, baseado na matéria-prima importada, embora não houvesse nenhuma adaptação ao clima tropical, conservando-se as características típicas europeias. Por volta de 1830, os franceses abrem uma série de lojas no Rio de Janeiro, a Rua do Ouvidor, onde era elegante falar francês em vez de português, constituiu um importante centro, oferecendo às senhoras da elite tecidos, figurinos e mesmo toaletes completas vindos de Paris.

Entretanto, ainda não havia sequer a adaptação da roupa às características tropicais do Brasil. “Nas ruas do centro da cidade viam-se homens de fraque e polainas e mulheres também vestidas formalmente.” (Gontijo, 1972, p. 4)

Nesta primeira fase a moda no Brasil se faz por meio de livreiros franceses que importavam revistas de moda, ilustradas com litogravuras, trazendo instruções sobre cortes e medidas. Chegando, a partir de 1874, a haver uma edição brasileira da La Saison, chamada A Estação. (Edgard Luiz de Barros, 1993, p.21).

O século XX inicia-se com um período de progresso técnico, resultante da criação de novas fábricas surgidas principalmente da aplicação do dinheiro do café. Inicia-se a era da máquina e o desejo do progresso expresso na industrialização. Outros fatores importantes são a urbanização e a grande massa de imigrantes que contribuíram ainda mais para o crescimento do Brasil.

Neste período também a indústria têxtil renasce, como descreve a historiadora Silvana Gontijo:

“Durante a Primeira Guerra Mundial, os países europeus e EUA diminuíram muito sua exportações para o Brasil, dando oportunidade a que o setor têxtil tomasse grande impulso. Em 1919, nossa indústria já supria três quartos da demanda interna.”(Gontijo, 1972)


Fonte: http://www.fashionbubbles.com/historia-da-moda/identidade-brasileira-na-moda-anos-1910/


terça-feira, 28 de junho de 2016

O Made in Brazil da Moda Brasileira



Mais uma vez, nosso grande estilista, Alexandre Herchcovitch, fazendo uma avaliação de importância singular. Vejam essa matéria:



Certa vez, em palestra na Feevale de Novo Hamburgo, o estilista brasileiro Alexandre Herchcovitch afirmou que o Brasil, até a pouco tempo, era conhecido pela exportação de calçados, sobretudo o sul do país, e pela exportação e lançamento de novas matérias primas para esse fim. Mas, atualmente, além de vender um bom calçado, o país está tentando exportar um calçado com design, que é o que conta verdadeiramente hoje. Pois, o Brasil já é apto a consumir e também produzir artigos que não carregam mais aquela aura de cópia, e sim criações legitimamente nossas.
Se há uma identidade na moda brasileira, ela está arraigada às nossas múltiplas personalidades, facetas e estilos. Aqui se encontra o universal no local. A moda brasileira deve se fortalecer na antropofagia cultural, abandonando clichês e abrindo a mente. Na moda, referências são tudo!!!
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Realmente o cenário das exportações brasileiras vem se modificando nos últimos anos. E essa mudança se deve, em grande parte, à competição com os países asiáticos, que são grandes produtores e exportadores de vestuário e calçados, o que dificulta a entrada do produto têxtil brasileiro no mercado externo. O custo dos produtos asiáticos é muito menor, e não temos como competir com a mão de obra de valor baixíssimo deles.





Há pouco tempo atrás, presenciamos o fechamento de fábricas do setor calçadista em Novo Hamburgo, RS, e de outras empresas do setor têxtil em diferentes localidades do Brasil, devido à concorrência sem parâmetros da China. O Brasil, diante deste gigante, não tem como concorrer no quesito manufatura.

Contudo, a conseqüência que emerge diante deste fato é o aumento na qualidade dos produtos. O Brasil começa a garantir boa parte de suas exportações em mercadorias com maior valor agregado, que se destacam por características mais ligada à moda e ao design. Este é o momento das indústrias e marcas investirem em estilistas e em consultores de moda e de tendências, para que o produto não seja mais uma mera cópia, e sim único, vendável e de qualidade.



Assim, a estratégia nacional frente às exportações relaciona-se com a incrementação do design e estilo, fazendo com que os designers, enfim, tenham oportunidade de criar com base em suas referências. Dessa forma, cada vez mais se formará uma imagem da moda e estilo brasileiro, amadurecendo o conceito de uma moda genuinamente nossa lá fora.




No final dos anos 90, os estilistas brasileiros já faziam uma roupa com mais expressão de moda, o que despertou o olhar estrangeiro para o “cenáriofashion” nacional. Em 2000, a moda brasileira já era comentadíssima pelos principais circuitos da moda mundial. E de lá pra cá, jornalistas de diversos países tem vindo para acompanhar o São Paulo Fashion Week. De repente, a cultura brasileira está em alta graças à influência da mídia internacional, que culmina no “Ano do Brasil na França” (2005).

Fonte: http://www.modamanifesto.com/index.php?local=detalhes_moda&id=557



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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O MOMENTO DAS MODELOS NEGRAS NA MODA MUNDIAL



Fala-se muito de diversidade na moda e temos notado um aumento na presença de modelos negras em capas de revistas, editoriais, campanhas e desfiles. Para se ter uma ideia, o site theFashionSpot analisou 577 campanhas publicitárias de Primavera 2015 e chegou aos seguintes números: dos 811 modelos, 84,7% eram caucasianos, 5,7% asiáticos, 5,1% negros e 2,3% latinos. Ainda há bastante espaço para melhoria, mas, vendo os dados – mesmo parecendo que não – nota-se que o mercado está, aos poucos, avançando. Se esta mesma pesquisa fosse feita há 10 anos, o número seria diferente.



Os bookers das principais agências festejam as melhorias do mercado. Para Anderson Baumgartner, da Way Model, estava mais do que na hora de a indústria abrir os olhos. “Não só o mercado está enxergando diferente, mas o próprio consumidor abriu os olhos pra essas deusas lindas. Hoje, ver uma modelo negra nas capas das revistas e em campanhas de grandes marcas internacionais mostra que a beleza negra vende, sim! Demorou pra acontecer, na minha opinião, mas graças a Deus chegamos lá. Eu trabalho com modelos há 17 anos e sempre defendi mulheres lindas, independente da cor da pele. Se a menina tiver beleza, altura, corpo e personalidade, ela vai entrar na Way sendo da pele branca, vermelha ou negra”, comenta ele. Já Laura Vieira, da Mega Partners, acha gratificante participar deste momento transformador: “Atualmente, a padronização não está mais em destaque e o mercado tem procurado modelos de diferentes perfis. Acredito que discussões sobre temas como o racismo e a diversidade, bastante abordados de um tempo pra cá, tenham contribuído”.
É interessante ler chamadas do tipo “primeira modelo negra da capa de tal revista” ou “modelo negra abriu desfile de grife em Paris”, exemplos de coisas que não deveriam causar surpresa, mas causam por não serem fatos cotidianos. Felizmente, mais e mais marcas, como Burberry e Balmain, ou, no Brasil, Alexandre Herchcovitch e Farm, para citar apenas alguns nomes, estão abrindo espaço para estas modelos. Estilistas como Jean-Paul Gaultier sempre trabalharam com diversidade. Leonardo Gomes, agente internacional que convive diariamente com grandes clientes de Milão, acha que a verdadeira beleza não tem cor. “O importante é representar o produto ou a proposta da coleção naquele momento”.


Recentemente, a gigante do underwear Victoria’s Secret divulgou uma lista de 10 novas Angels na qual aparecem a americana Jasmine Tookes e a brasileira Laís Ribeiro – ambas negras, uma novidade que não existia na lista antiga. Aliás, Laís, que pelo censo brasileiro é considerada parda, lá fora, no mercado de moda, é apresentada como negra. “Eu tenho muito orgulho da minha cor e fico feliz em acompanhar um momento em que o mercado dá espaço à beleza morena e negra. No Brasil me consideram morena. No mercado internacional me consideram negra. Independentemente de como me classificam, acho justa e necessária a diversidade na moda. É preciso dar espaço a todas as raças”, diz ela. 


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Fonte: http://ffw.com.br/models/noticias/o-momento-das-modelos-negras-na-moda-mundial/