Melhor preço

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Moda Brasil - por uma identidade na marca


Carmem Miranda

Olá pessoal

Um grande abraço e um 2017 muito próspero e feliz para todos os leitores e leitoras do meu blog.

Gostaria de retomar o assunto que mais me levou às leituras e pesquisas e, sobretudo, a criação deste blog: identidade cultural na moda.

Uma das minhas grandes preocupações no mundo da moda ainda é a forte influência europeia/asiática sobre as principais marcas do vestuário do planeta, ditando regras de toda ordem, taxando preços e tendências. 

Para aprofundarmos um pouco mais nessa reflexão, fiz um pequeno recorte de um artigo que gostaria de compartilhar com vocês. 


Por Julia Picoli

Docente no curso de Moda da Feevale e consultora de produto de Moda


No contexto do mercado de moda no Brasil contemporâneo existem marcas que continuam replicando a moda e a cultura internacional, tendo dificuldades de diferenciar os produtos. Uma forma de distingui-los é a criação de peças por meio de coleções de moda que utilizam uma temática central para o desenvolvimento de peças harmônicas e autorais.


O processo da criação de uma coleção de moda deve ser coerente e contemplar os seguintes aspectos: perfil do consumidor, identidade ou imagem da marca, tema-conceito e proposta de materiais. O desenvolvimento dos produtos também se dá pela coordenação da coleção, que vai desde a escolha de cores, matéria-prima, modelagem e confecção, com o propósito de averiguar se em todas as etapas foi, efetivamente agregado valor à composição, conferindo assim identidade aos artigos de moda no Brasil.



Uma pequena mostra do que foi a SPFW 2017














terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Como garantir a identidade brasileira na moda internacional


Fonte: http://olhares.sapo.pt/moda-no-brasil-colonia-foto2809437.html
Um breve histórico dos fatores que desembocaram em uma identidade brasileira expressa através do vestuário e da moda.



Até 1910 – Primeira parte



A identidade brasileira na moda encontra sua consolidação ao longo dos dois últimos séculos, haja vista o pouco que se pode falar a respeito da atividade cultural durante o Brasil colônia, onde a moda era originalmente europeia.



As primeiras iniciativas de construção de uma indústria têxtil no Brasil foram frustradas com medidas contrárias impostas pela família real portuguesa:



“ o Brasil Colônia tentou fabricar seus tecidos elegantes, mas um famoso alvará de D. Maria I mandou destruir os teares do Brasil e, com eles, a indústria brasileira que nascia . Em nosso país, só se admitiam teares para a indústria das fazendas grossas de algodão , das que serviam para o uso e vestuário dos negros. Veja o que diz o historiador Luiz Edmundo:



"São extintos, quebrados a martelo todos os teares do país no ano de 1781, sendo que se proíbe aos governadores o recebimento, em audiência, de pessoas vestindo roupas feitas com tecidos não fabricados ou exportados da metrópole, Ordem régia de 5 de julho de 1802. (…) Até os sapateiros não podem trabalhar em couro que não venha mandado da longínqua Metrópole, Carta-Régia de 20 de fevereiro de1690.’”( Joffily, 1999, p.12)

LinkShe


Em 1841, ocorre um fato importante na história da moda brasileira – quando na coroação de D. Pedro II, este leva em torno do pescoço uma murça de plumas de tucanos.


“ A só um tempo, era feito rei e cacique, rei como na Europa, de cetro e coroa, e cacique de penas como pelos imensos e insondados brasis.” (Schwarcz).

Fato simbólico para a construção de uma identidade brasileira, uma vez que implica na legitimação das “coisas da terra”, entretanto, os reflexos dessa legitimação demoram a acontecer no vestuário.

Inicialmente a influência da moda brasileira é totalmente europeia, mais especificamente francesa – expressa em características da Belle Époque.

Até 1910 – Segunda parte

De acordo com o pesquisador José Carlos Durand, após o início do séc. XIX, já há uma produção incipiente de peças no Brasil, baseado na matéria-prima importada, embora não houvesse nenhuma adaptação ao clima tropical, conservando-se as características típicas europeias. Por volta de 1830, os franceses abrem uma série de lojas no Rio de Janeiro, a Rua do Ouvidor, onde era elegante falar francês em vez de português, constituiu um importante centro, oferecendo às senhoras da elite tecidos, figurinos e mesmo toaletes completas vindos de Paris.

Entretanto, ainda não havia sequer a adaptação da roupa às características tropicais do Brasil. “Nas ruas do centro da cidade viam-se homens de fraque e polainas e mulheres também vestidas formalmente.” (Gontijo, 1972, p. 4)

Nesta primeira fase a moda no Brasil se faz por meio de livreiros franceses que importavam revistas de moda, ilustradas com litogravuras, trazendo instruções sobre cortes e medidas. Chegando, a partir de 1874, a haver uma edição brasileira da La Saison, chamada A Estação. (Edgard Luiz de Barros, 1993, p.21).

O século XX inicia-se com um período de progresso técnico, resultante da criação de novas fábricas surgidas principalmente da aplicação do dinheiro do café. Inicia-se a era da máquina e o desejo do progresso expresso na industrialização. Outros fatores importantes são a urbanização e a grande massa de imigrantes que contribuíram ainda mais para o crescimento do Brasil.

Neste período também a indústria têxtil renasce, como descreve a historiadora Silvana Gontijo:

“Durante a Primeira Guerra Mundial, os países europeus e EUA diminuíram muito sua exportações para o Brasil, dando oportunidade a que o setor têxtil tomasse grande impulso. Em 1919, nossa indústria já supria três quartos da demanda interna.”(Gontijo, 1972)


Fonte: http://www.fashionbubbles.com/historia-da-moda/identidade-brasileira-na-moda-anos-1910/


terça-feira, 28 de junho de 2016

O Made in Brazil da Moda Brasileira



Mais uma vez, nosso grande estilista, Alexandre Herchcovitch, fazendo uma avaliação de importância singular. Vejam essa matéria:



Certa vez, em palestra na Feevale de Novo Hamburgo, o estilista brasileiro Alexandre Herchcovitch afirmou que o Brasil, até a pouco tempo, era conhecido pela exportação de calçados, sobretudo o sul do país, e pela exportação e lançamento de novas matérias primas para esse fim. Mas, atualmente, além de vender um bom calçado, o país está tentando exportar um calçado com design, que é o que conta verdadeiramente hoje. Pois, o Brasil já é apto a consumir e também produzir artigos que não carregam mais aquela aura de cópia, e sim criações legitimamente nossas.
Se há uma identidade na moda brasileira, ela está arraigada às nossas múltiplas personalidades, facetas e estilos. Aqui se encontra o universal no local. A moda brasileira deve se fortalecer na antropofagia cultural, abandonando clichês e abrindo a mente. Na moda, referências são tudo!!!
SALE JOHN JOHN | Inverno 19 até 60% OFF | Até 6x* | Por tempo limitado!!
Realmente o cenário das exportações brasileiras vem se modificando nos últimos anos. E essa mudança se deve, em grande parte, à competição com os países asiáticos, que são grandes produtores e exportadores de vestuário e calçados, o que dificulta a entrada do produto têxtil brasileiro no mercado externo. O custo dos produtos asiáticos é muito menor, e não temos como competir com a mão de obra de valor baixíssimo deles.





Há pouco tempo atrás, presenciamos o fechamento de fábricas do setor calçadista em Novo Hamburgo, RS, e de outras empresas do setor têxtil em diferentes localidades do Brasil, devido à concorrência sem parâmetros da China. O Brasil, diante deste gigante, não tem como concorrer no quesito manufatura.

Contudo, a conseqüência que emerge diante deste fato é o aumento na qualidade dos produtos. O Brasil começa a garantir boa parte de suas exportações em mercadorias com maior valor agregado, que se destacam por características mais ligada à moda e ao design. Este é o momento das indústrias e marcas investirem em estilistas e em consultores de moda e de tendências, para que o produto não seja mais uma mera cópia, e sim único, vendável e de qualidade.



Assim, a estratégia nacional frente às exportações relaciona-se com a incrementação do design e estilo, fazendo com que os designers, enfim, tenham oportunidade de criar com base em suas referências. Dessa forma, cada vez mais se formará uma imagem da moda e estilo brasileiro, amadurecendo o conceito de uma moda genuinamente nossa lá fora.




No final dos anos 90, os estilistas brasileiros já faziam uma roupa com mais expressão de moda, o que despertou o olhar estrangeiro para o “cenáriofashion” nacional. Em 2000, a moda brasileira já era comentadíssima pelos principais circuitos da moda mundial. E de lá pra cá, jornalistas de diversos países tem vindo para acompanhar o São Paulo Fashion Week. De repente, a cultura brasileira está em alta graças à influência da mídia internacional, que culmina no “Ano do Brasil na França” (2005).

Fonte: http://www.modamanifesto.com/index.php?local=detalhes_moda&id=557



JPG Roupas 234x60

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O MOMENTO DAS MODELOS NEGRAS NA MODA MUNDIAL



Fala-se muito de diversidade na moda e temos notado um aumento na presença de modelos negras em capas de revistas, editoriais, campanhas e desfiles. Para se ter uma ideia, o site theFashionSpot analisou 577 campanhas publicitárias de Primavera 2015 e chegou aos seguintes números: dos 811 modelos, 84,7% eram caucasianos, 5,7% asiáticos, 5,1% negros e 2,3% latinos. Ainda há bastante espaço para melhoria, mas, vendo os dados – mesmo parecendo que não – nota-se que o mercado está, aos poucos, avançando. Se esta mesma pesquisa fosse feita há 10 anos, o número seria diferente.



Os bookers das principais agências festejam as melhorias do mercado. Para Anderson Baumgartner, da Way Model, estava mais do que na hora de a indústria abrir os olhos. “Não só o mercado está enxergando diferente, mas o próprio consumidor abriu os olhos pra essas deusas lindas. Hoje, ver uma modelo negra nas capas das revistas e em campanhas de grandes marcas internacionais mostra que a beleza negra vende, sim! Demorou pra acontecer, na minha opinião, mas graças a Deus chegamos lá. Eu trabalho com modelos há 17 anos e sempre defendi mulheres lindas, independente da cor da pele. Se a menina tiver beleza, altura, corpo e personalidade, ela vai entrar na Way sendo da pele branca, vermelha ou negra”, comenta ele. Já Laura Vieira, da Mega Partners, acha gratificante participar deste momento transformador: “Atualmente, a padronização não está mais em destaque e o mercado tem procurado modelos de diferentes perfis. Acredito que discussões sobre temas como o racismo e a diversidade, bastante abordados de um tempo pra cá, tenham contribuído”.
É interessante ler chamadas do tipo “primeira modelo negra da capa de tal revista” ou “modelo negra abriu desfile de grife em Paris”, exemplos de coisas que não deveriam causar surpresa, mas causam por não serem fatos cotidianos. Felizmente, mais e mais marcas, como Burberry e Balmain, ou, no Brasil, Alexandre Herchcovitch e Farm, para citar apenas alguns nomes, estão abrindo espaço para estas modelos. Estilistas como Jean-Paul Gaultier sempre trabalharam com diversidade. Leonardo Gomes, agente internacional que convive diariamente com grandes clientes de Milão, acha que a verdadeira beleza não tem cor. “O importante é representar o produto ou a proposta da coleção naquele momento”.


Recentemente, a gigante do underwear Victoria’s Secret divulgou uma lista de 10 novas Angels na qual aparecem a americana Jasmine Tookes e a brasileira Laís Ribeiro – ambas negras, uma novidade que não existia na lista antiga. Aliás, Laís, que pelo censo brasileiro é considerada parda, lá fora, no mercado de moda, é apresentada como negra. “Eu tenho muito orgulho da minha cor e fico feliz em acompanhar um momento em que o mercado dá espaço à beleza morena e negra. No Brasil me consideram morena. No mercado internacional me consideram negra. Independentemente de como me classificam, acho justa e necessária a diversidade na moda. É preciso dar espaço a todas as raças”, diz ela. 


Eles - 600 x 500








Fonte: http://ffw.com.br/models/noticias/o-momento-das-modelos-negras-na-moda-mundial/


segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A noite em que as modelos negras e a moda americana foram reconhecidas


EXCEÇÕES À REGRA
Acima, modelos negros desfilam para o estilista Alexandre Herchcovitch. À direita, modelo negra desfila para a Animale, marca envolvida numa controvérsia sobre racismo. Há esforços, mas a diversidade étnica ainda é limitada (Foto: Rafael Gagliano/Hyset e Ze Takahashi/ AgÍncia Fotosite)

Como seria as passarelas de moda brasileira se, ao invés do que acontece hoje, desfilasse modelos com a cara do Brasil?


Por que será que o Brasil demorou tanto para ter uma identidade própria no cenário internacional da moda?
Sem querer polemizar, vamos ver alguns dados importantes. Leiam essa matéria super legal.


Na noite de 28 de novembro de 1973, uma quarta-feira com neve, 720 membros da elite européia e americana foram ao Palácio de Versalhes, a uma hora do centro de Paris, para assistir a um desfile de moda. Às 21 horas, quando as cortinas do teatro foram levantadas e um violino de uma grande orquestra quebrou o silêncio com a abertura de Cinderela, do compositor Prokofiev, convivas como a princesa Grace de Mônaco, o artista americano Andy Warhol e a baronesa Guy de Rothschild, presenciariam um evento seminal. Uma mistura de golpe publicitário, deliciosa batalha de egos inflados, e um dos mais involuntários atos de militância social contra a desigualdade racial nas passarelas. Também foi o momento em que a moda americana moderna passou a ser respeitada por críticos franceses. Os eventos daquela noite são contados, com requintes de detalhes, no ótimo livro “The Battle of Versailles” (A Batalha de Versalhes), da premiada jornalista de moda Robin Givhan, que chega às livrarias americanas nesta terça. 

Já em outro site encontrei essa matéria que, por incrível que pareça, aborda o mesmo assunto com as mesmas preocupações. Vale a pena ler

Em 28 de novembro de 1973, o Castelo de Versalhes foi palco de um desfile que mudou o curso da história. Cinco grifes francesas e cinco grifes americanas apresentaram suas criações para uma plateia abastada no intuito de arrecadar US$ 60 milhões para a restauração do monumento que, desde o século XIX, não sofria uma reforma. A noite, de natureza beneficente, acabou se tornando uma guerra entre o consagrado estilo elegante francês e a nascente indústria de moda americana.


Os estilistas “donos da casa”, Yves Saint Laurent, Hubert de Givenchy, Marc Bohan, Pierre Cardin e Emanuel Ungaro, receberam os convidados com desdém e ares vitoriosos: com duas horas e meia de desfile, tinham o triplo de orçamento, cenários suntuosos, balés e orquestras. Os americanos, Oscar de la Renta, Bill Blass, Anne Klein, Halston e Stephen Burrows, fizeram uma apresentação de meia hora, num único cenário simples e com uma fita cassete servindo de trilha sonora.


Os franceses mostraram seu savoirfaire secular com modelos de alta-costura; os americanos apresentaram vestidos de jérsei e looks esportivos. O desfile dos franceses deu sono na plateia. O dos americanos a levou a aplaudi-los de pé, aos gritos, jogando os libretos com o programa do evento para o alto. Esse é o tema central do livro The battle of Versailles (A batalha de Versalhes), da crítica de moda americana Robin Givhan, que acaba de ser publicado nos Estados Unidos.

Terminei o livro recentemente, e uma questão passou a me perseguir obsessivamente: qual a razão do estrondoso sucesso dos americanos? Não foram certamente as roupas, pois os franceses dominavam muito mais as técnicas que seus concorrentes. Foi, sem dúvida, a maneira com que essas roupas foram apresentadas – e por quem foram apresentadas. Das 36 modelos que desfilaram para eles, muitas das quais por um cachê bem abaixo da média, dez eram negras, quase um terço do casting. Nomes como Amina Warsuma, Charlene Dash, Norma Jean Darden, Bethann Hardison e Pat Cleveland representavam o impacto da cultura negra sobre a sociedade americana, o “black glamour”, naquele início dos anos 1970. A música negra deixava os rincões dos pubs do bairro do Harlem, em Nova York, para revirar o pop. Coreografias sensuais e ritmadas batizadas “voguing” inundavam as pistas de dança da cidade na cadência da disco music.

Com um caminhar militarmente assertivo e charmosos pivôs de bailarina, as modelos negras de Versalhes transformaram o jeito afetado e delicado de desfilar que há 20 anos dava os tons das passarelas parisienses. Elas imprimiram personalidade aos passos das manequins. “Nós passamos a existir como motores e protagonistas da indústria depois daquele desfile”, diz Pat Cleveland. “Quando a plateia começou a bater os pés no chão com força e jogar os programas para o alto, pensamos que tínhamos feito alguma coisa errada. Pelo contrário, havíamos feito tudo tão diferente que criamos um novo padrão do certo.” Detalhe: Stephen Burrows, um dos estilistas americanos que participaram do evento, era negro, o único entre seus pares. Foi tão ovacionado quanto as modelos.


Mais de 40 anos depois da batalha de Versalhes, o que restou dessa conquista? Um retrocesso. Na última temporada de moda de Nova York, Londres, Milão e Paris, que terminou em março, apenas 20% das modelos não tinham etnia caucasiana. Segundo o relatório semestral de diversidade do site The Fashion Spot, 1.908 modelos dos 9.358 recrutados para os 373 desfiles não eram brancos. Em Milão, somente 15,8% eram não caucasianos. Nova York foi a cidade que se saiu melhor no quesito da diversidade, com 24,4%, um percentual aquém da revolução que os americanos imprimiram naquela noite de Versalhes. “Por incrível que pareça, a diversidade ainda é um desafio, um sonho distante”, diz a autora Robin Givhan.



Na semana passada, a principal semana de moda do Brasil, a São Paulo Fashion Week, comemorou 20 anos. Nesse período, o evento conseguiu a façanha de estruturar o setor. As marcas brasileiras agora se organizam para seguir um calendário oficial de produção, distribuição e divulgação de seus produtos. Antes da São Paulo Fashion Week, a organização da moda local era caótica. Cada estilista despejava suas criações no mercado em momentos diferentes, dificultando a programação da cadeia têxtil e dos varejistas. Modelos, agências, fotógrafos, stylists e produtores se profissionalizaram, editores e compradores estrangeiros passaram a enxergar no Brasil possibilidades que iam muito além da moda praia. Como resultado, a semana de moda paulistana tornou-se a quinta em importância na escala mundial. O evento transformou para sempre a indústria nacional.

Mas onde estão as modelos negras da São Paulo Fashion Week? Num país majoritariamente autodeclarado pardo e negro – 96,7 milhões de pessoas, o equivalente a 50,7% da população, segundo o Censo 2010 do IBGE –, as passarelas continuam caucasianas. Às vésperas do evento, a grife Animale envolveu-se num caso de racismo. Uma vendedora de uma de suas lojas em São Paulo teria mandado um garoto de 8 anos sair da porta da butique, porque ali não seria local “para ele vender coisas”. A acusação foi relatada pelo pai da criança, o americano Jonathan Duran, editor financeiro de um banco de investimentos, e causou comoção nas redes sociais. Em nota distribuída à imprensa, a Animale disse que entrou em contato com Duran e “reitera que repudia qualquer ato de discriminação”. Na passarela, duas modelos negras, Natalie Alves e Mahany Pery, apresentaram alguns dos 29 looks da Animale.

Por padrão, de onde deveria sair as nossas referências de moda brasileira?





quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Qual é a COR da moda?

Nykhor Paul
Olá pessoal!

É triste ter que chegar ao ponto de pedir desculpas aos maquiladores por não ter produtos para a sua cor de pele. Leia trecho dessa matéria:

"A modelo Nykhor Paul exprimiu, numa carta aberta que publicou no seu Instagram, o seu desagrado e a sua revolta para com os maquilhadores dos desfiles de moda de alta costura que, afirma a modelo, não estão preparadas para lidar com a tez negra.
"Estou definitivamente super cansada de pedir desculpa por ser negra!", escreveu Paul na sua publicação, em que explica que, muitas vezes, as maquilhadoras dos desfiles e sessões fotográficas não têm o material necessário para maquilhar pessoas negras. "Um bom maquilhador prepara-se e faz pesquisa antes de vir trabalhar, porque muitas vezes já se sabe o que se espera, especialmente num desfile".

Berrylook 5% off for Your First Order

A carta começa: "Caras pessoas brancas no mundo da moda", e pormenoriza em seguida a frustração de Nykhor Paul, modelo sul-sudanesa que é refugiada nos Estados Unidos, por não ser tratada de forma igual que as suas colegas de tez clara. "Por que é que tenho que trazer a minha própria maquilhagem para um desfile de moda quando todas as outras raparigas brancas não têm que fazer nada além de aparecer?" pergunta-se Paul.
"Isto aplica-se a Nova Iorque, a Londres, a Milão, a Paris, à Cidade do Cabo, e a todos os outros sítios que têm problemas com a tez negra", acusa a modelo de 25 anos que já desfilou por marcas como Balenciaga, Rick Owens e Vivienne Westwood. A revista online Jezebel sublinha que 80 por cento das modelos que desfilaram nas passerelles desta temporada Outono/Inverno eram brancas. "A moda é arte, a arte nunca é racista, devia incluir-nos a todos", apelou Nykhor Paul.

Moda no Brasil

"Você olha ao redor e não vê nenhuma negra, a 
única negra que estou vendo aqui sou eu", conta 
Mariane Calazan no backstage do SPFW

Numa sociedade onde a maioria  tem a tez negra ou é afrodescendente, com uma multiculturalidade riquíssima e com uma brasilidade singular que vem influenciando a moda internacional,  ainda se percebe uma minoria de modelos negras nas nossas passarelas da moda.

Rolou mais uma temporada do SPFW nesse mês e, novamente, o número de modelos negros nos desfiles foi baixíssimo. Dos 35 desfiles apresentados, 9 marcas não trouxeram modelos negros às passarelas e o recorde de negros desfilando na temporada – apesar de muito pequeno – foi nos desfiles da Ellus e Cavalera, cada uma com 7 negros no casting em desfile com 46 e 49 looks, respectivamente. Essa questão ganhou força na moda brasileira em 2009, depois de uma temporada de desfiles que contou com apenas 8 modelos negros entre 344 – um número não muito distante deste outono-inverno 2015.

SPFW pode adotar políticas de cotas raciais



A polêmica sobre os negros na moda voltou a ser assunto neste fim de semana. Uma reportagem publicada no jornal “Folha de S.Paulo” de domingo (12/04) fala da proposta do Ministério Público que prevê que todas as marcas do SPFW sejam obrigadas a cumprir cotas raciais em seus desfiles, como se fossem universidades públicas. Segundo a promotora que propôs a idéia, Déborah Kelly Affonso, “o percentual de modelos no evento (em torno de 3%) é bem menor que o de brancos. O objetivo da Promotoria é fazer um acordo de inclusão social”, afirma. O assunto, é claro, já rendeu pano pra manga. Paulo Borges, diretor do SPFW, avisou por meio da assessoria que “o fato de ter adotado um filho negro denota, por si só, sua posição política clara contra o racismo – por mais que a relação com o filho não seja comercial”. Já Hélder Dias, dono da agência de modelos negros HDA, acusa abertamente o evento de racismo: “Claro que existe (preconceito). É mais social do que racial. Se fosse um Pelé, um Barack Obama, ninguém iria ignorar”.
Fonte: http://www.lilianpacce.com.br/moda/fashionteca/cotas-raciais-moda-spfw/

Após acusação de racismo, Fashion Rio pedirá mais negros na passarela


O Fashion Rio e representantes da ONG Educafro assinaram, nesta terça-feira (5), termo de compromisso para garantir a presença de modelos negros na semana de moda carioca, após reunião de duas horas e meia, na sede da Defensoria Pública, no centro do Rio.
O termo foi firmado após denúncia encaminhada à Defensoria Pública pela ONG de que os modelos estavam sendo rejeitados na seleção para os desfiles das grifes que se apresentam entre esta quarta e o sábado no Píer Mauá, região portuária da capital fluminense, onde é realizada a temporada Inverno 2014 do evento.
Participaram do encontro representantes da ONG, da Coordenadoria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura do Rio (Ceppir), o deputado estadual Gilberto Palmares (PT) e a gerente do departamento jurídico da Luminosidade, Verbana Maciel. Na reunião, foi acordado que a Luminosidade, empresa responsável pela organização das semanas de moda do Rio e de São Paulo, irá encaminhar às grifes a recomendação de que exista o percentual mínimo de 10% de negros em cada desfile. De acordo com a defensora pública, Larissa Dadidovich, os agentes do órgão estarão presentes nos desfiles para verificar que as grifes estão cumprindo o percentual mínimo acordado na reunião. Segundo o presidente do Grupo Palco Mil Sonhos, Leônidas Lopes, nenhuma modelo negra foi selecionada para o evento.  Fonte: http://mulher.uol.com.br/moda/noticias/redacao/2013/11/05/apos-acusacao-de-racismo-fashion-rio-pedira-mais-negros-na-passarela.htm

Berrylook 5% off for Your First Order

sábado, 4 de julho de 2015

O Black Power volta a influenciar a moda através dos ateltas


O “black power”, visual que exaltava os cabelos crespos e que foi muito popular entre os negros desde os anos 1960 também foi figurinha carimbada no Brasil durante a segunda metade do Século XX.



Especialmente a partir da década de 70, depois da explosão, nos EUA, do movimento Black Power – que combatia o racismo e o preconceito no país e enfatizou o orgulho racial dos negros -, o Brasil, grande consumidor da cultura norte-americana, foi 

atingido pelo movimento. Uma das marcas registradas entre músicos, artistas e até atletas negros do país ianque era justamente o denso cabelo crespo. Em terras brasileiras, virou mania.

Paulo César Caju

Em 1968, os atletas Tommie Smith e John Carlos, campeão e terceiro colocado, respectivamente, dos 200m rasos na Olimpíada do México, ergueram os punhos cerrados (símbolo do grupo Panteras Negras) no pódio durante a execução do Hino Nacional dos EUA. O gesto fez os dois perderam a medalha, por não serem permitidas manifestações políticas durante os Jogos, mas foi a primeira vez em que um fato como esse aconteceu no esporte.


Na primeira metade dos anos 70, muitos foram os negros do Brasil que aderiram ao penteado, especialmente aos jogadores do futebol. Jogadores como Jairzinho, Júnior, Ademir da Guia, Paulo Cesar Caju, Rodrigues Neto, Nilson Dias, Miguel e até o atual técnico Vanderlei Luxemburgo, ex-lateral-esquerdo, entre tantos outros, tornaram-se portadores do portentoso penteado, imortalizado também pela explosão da música Disco, no mesmo período.

Jairzinho
Fonte: http://futrio.net/wp/35154527-a-cultura-do-futebol-o-black-power-em-campos-brasileiros
















Pessoas com muita grana que poderiam fazer o que quiser dos seus cabelos, preferem marcar presença com o estilo afro, revelando uma beleza que vem influenciando o mundo fashion de forma impressionante. Desde atletas do mundo do futebol, esporte que envolve o maior número de pessoas em torno do planeta, até mesmo artistas de novelas ou teatros, acabam que agregando muito valor quando exibem os seus modelos e estilos africanizados.